quinta-feira, 28 de março de 2013





"Conheçam meu novo blog: Vivendo Psicologia"
Certa feita, enquanto me encaminhava para meu lar, num transporte coletivo, setada ao lado esquerdo de uma senhora e realizava um certo costume de mexer nos meus longos cabelos, escultei de forma muito rude, da senhora ao meu lado:
- Seu cabelo agarrou no meu rosto!
Foi então que me dei conta do ocorrido e responde de forma gentil:
- Desculpa senhora.
Porém a senhora parecia não me escultar, ou ela simplesmente ignorou aquilo que eu disse, continuando a dizer:
- Tem limite, viu? Tem limite!
No momento fiquei sem entender a reação exacerbada da senhora, a tal ponto de me aborrecer. 'Para quê tanta grosseria?', pensava para mim mesma. Em uma busca incansável, dentro de mim, peguei-me analisando:

O ser humano desde que nasce até a sua morte é inteiramente dependente do convívio social. O outro lhe é representado no primeiro momento como parte de si, até que a sua formação do 'eu' seja completa. Mas de onde vem tanta intolerância com aquilo que nos é imprescindível? 
Já foi provado e comprovado, inúmeras vezes, a dimensão social e sua influência inegável no homem, alguns teóricos muito importantes como Freud, Piaget, Wallon, Vygotysk, entre outros, trás estudos muito pertinentes de como a relação com o outro é o motivador das ações humanas, e até o resultado de sua construção psíquica. O processo de comunicação é uma prova de que o desenvolvimento humanos se eleva a partir da convivência e da relação interdimensional com o outro.
Se o outro é tão importante, porque tanta intolerância? Recordei-me do texto do mestre Freud 'O mal estar na civilização.' Onde ele retrata o convívio social como consequência da pulsão de vida, denominada também por thanos. Essa pulsão de vida é que nos leva a procurar uma forma, segura, justa e organizada, de viver em sociedade, porém para que isso ocorra é imprescindível que sejam regidas regras e normas. Sendo este o mundo real, porém, todavia, essa realidade se choca com o mundo da mente, extremamente primitivo, onde a pulsão sexual busca ser saciada, podendo ser entendida como o 'instinto humano'. Essas regras e normas tentam conter esse desejo de saciar essas pulsões, delimitando a nossa liberdade, pois só dessa forma o outro também não será prejudicado e vice-versa. (retornarei ao texto em outra ocasião).
Ou seja, o ser humano a partir do momento que não libera a sua pulsão sexual (instinto), reconhecendo-se pertencente do mundo real, com regras e normas, leva a sua frustração a esse convívio. O ser humano se priva do sentimento de satisfação e liberdade utópica para permanecer em relação com o outro. Essa constante insatisfação humana é o resultado desse 'mal estar na civilização'. 
Dessa forma, a minha liberdade de mexer no meu cabelo foi rompida no momento em que se tornou um limite na relação com o outro. Trazendo para mim um sentimento de insatisfação e frustração que foi também gerado por um sentimento de insatisfação do outro. 
Somos tão dependentes do 'outro' que o sentimento que presenciamos só é conhecido a partir do olhar desse outro sujeito, ao contrário, nada significaria: amor, saudades, paixão, ódio. Sem o outro nenhum sentimento seria válido, pois são construídos nesta relação.
"O outro é mais você do que o próprio outro."


Um comentário:

  1. Lendo seu texto pude refletir o quanto qualquer ação nossa pode desencadear reações e conflitos de convívio na outra pessoa. É realmente incrível.
    Que legal você criar outro Blog. Certamente te acompanharei por lá também.
    Beijo!

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